Batata com Cachorro

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Empatia x Realidade

Empatia-011

Quando adentramos em um debate sobre questões polêmicas, como racismo, sexíssimo e tantos outros “ismos” que depreciam grupos humanos, podemos ter uma série de posições. Dentre as possíveis, apenas uma me interessa aqui, que é a de não pertencer ao grupo e ser sensível ao mesmo. Em resumo, é: a pessoa não ser mulher e ser sensível a discriminação de mulheres; ou não ser negro e ser sensível ao preconceito de cor.

A pessoa “sensível” a causas que não sofre, tem empatia pela causa, o que faz com que reflita e possa ser um agente atuante na causa. Entretanto, esta pessoa não pode ser arrogante de achar que por ler, se informar e conversar, sabe a realidade. Por que?

Simples, se não sofremos algo, é difícil saber a complexidade do fenômeno do ponto de vista psíquico, comportamental (efeito no comportamento meu e dos outros), e toda sorte de efeitos gerados. Além disto, se não sofremos uma determinada discriminação, conseguimos ver apenas os fenômenos mais evidentes, e não na sua sutileza.

Posso identificar, por exemplo, o racismo de uma pessoa que xinga outra por causa da cor da pele, mas muitos traços racistas da cultura que vivemos passam despercebidos. Aquele que sofre agressões diárias, que tem determinadas ações cerceadas por um preconceito latente, consegue sentir com clareza algo que não consigo nem imaginar.

Deste modo, no meu caso, falar sobre preconceito é algo absolutamente distante. Sou homem, de pele clara, traços físicos germânicos, heterossexual e de classe média. Posso contar nos dedos de uma mão as vezes que sofri algo que realmente me ofendeu por ser o que sou.

A complexidade da realidade do preconceito, portanto, se passa muito distante do meu universo. Posso ser sensível, mas nunca vou poder descrever com detalhes o que é ser excluído por ter nascido da forma que nasci. De como é ser desprezado por algo que não posso mudar, pois está ligado ao meu DNA.

Entretanto, o que posso ter, a minha empatia, faz com que apoie e ressalte o que consigo perceber. Sendo assim, apoiar políticas de cotas raciais, por exemplo, é algo absolutamente natural. Apoio que negros devam ter o direito de escrever sua própria história a partir do seu próprio ponto de vista. Se cada história é um ponto de vista, quantas histórias fantásticas estamos deixando de ser contadas ao não dar acesso a grupos humanos distintos meio de expressão (como escrita, vídeos, imagens) e meios de divulgação adequados?

Garantias de que a diversidade humana consiga se expressar dentro de um país, associado ao traço cultural de respeito a diversidade, é um sinal claro de uma democracia madura. Infelizmente, não conseguimos ver isto com clareza no Brasil, mas sei que muitos lutam para isso. Espero que um dia consigamos alcançar esse estado de respeito!

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