Batata com Cachorro

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Anus e Arte

 

cu

Dentre as inúmeras “coisas” que são enviadas pelo WhatsApp, uma me chamou a atenção hoje. Uma performance artística intitulada “macaquinhos”, que consiste em um círculo de pessoas, que ficam girando completamente nus, e ligados através do anus. Explico, a pessoa que está atrás, estica o braço e enfia o dedo no anus da pessoa a frente, de forma que um círculo seja fechado e todos estejam unidos pelo cu.

Antes de argumentar, minha crítica não está relacionada aos anus, que não tenho problema algum. Cada um faz o que quiser com o seu, e isso não me incomoda de forma alguma. Sou um grande defensor da máxima “meu corpo, minhas regras”, logo, cada um estipula suas regras de utilização corporal.

O que me incomoda na performance dita artística é a forma com que a arte é encarada atualmente. Ela é cada vez menos reflexiva. Uma exposição desta natureza retrata que todos temos anus, logo todos estamos ligados pelo mesmo, e somos todos iguais. É certamente uma espécie de ode à igualdade. Além disto, pode ter outros significados ligado ao anus, mas entendam, não existe a menor dúvida que o ponto é, reflitam sobre o anus. Não preciso fazer o menor esforço para entender isso.

A questão é, e a capacidade reflexiva da arte, aonde fica? Cada vez mais a arte fica crua, sem metáforas, sem aforismos, sem nada que nos faça pensar. A arte está igual a um desenho de criança, que precisa desenhar o sol para dizer que ele está lá. Não chega ao grau de um adulto, que sabe que o sol está lá e desenha apenas suas sombras, e a existência do sol é uma concepção indireta.

Será que não teria uma outra forma de expressar que estamos ligados pelos anus, que me desafie a encontrar esse significado e me faça ir além do obvio, e, portanto, me faça verdadeiramente refletir? Na minha humilde opinião, existe, assim como sempre existiu na arte.

Fico realmente triste ao ver exposições artísticas ficarem no obvio, no literal, no cru e pouco reflexivo. Pouco do que vejo me faz ir além do obvio, e cada vez mais vejo a arte perder sua capacidade reflexiva. E o que mais entristece é que boa parte dessa arte crua, é gestada em universidades, que deveriam ser locais reflexivos. Quem perde com isso é a arte, e sobretudo, aqueles que gostam de apreciar arte!

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