Batata com Cachorro

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Maniqueísmo da Ignorância

 

Maniqueismo

 

O Museu Nacional fecha as portas. Essa notícia, bastante triste que é anunciada nos meios de comunicação, é um diagnóstico, um reflexo do rumo que a educação está tomando. Não sei se é possível julgar se o rumo é bom ou ruim, entretanto, na complexidade do avanço social, a mudança é reduzida pela simplificação discursiva daqueles que ainda estudam, e negligenciada pelos professores.

Ao acompanhar discussões sobre literatura, e analisar vários discursos de jovens em idade escolar, vemos uma polarização clara. A polarização é entre a velha literatura e a nova literatura, como se cada uma representassem polos antagônicos. Os jovens, que em geral defendem a nova literatura, tratam a antiga como se fosse chata, obsoleta, e pouco dissesse sobre eles. Em função disto, renegam Machado de Assis e tantos outros escritores, que possuíam uma outra forma de escrita que não a contemporânea.

Agora fica a questão, por qual motivo a literatura clássica precisa ser vista como antagônica a contemporânea? São formas distintas de escrita: a clássica demanda uma compreensão maior do motivo dos elementos terem aquela forma; a contemporânea é mais dinâmica, tem menos descrição e mais ação. Enfim, tem propostas distintas, mas, creio, nenhuma é superior a outra. São modelos de contar história diderentes.

A consequência da construção do maniqueísmo velho/novo, gera um profundo repudio a arte clássica, e pouco ou nada é feito por parte dos professores, no sentido de estimular a reflexão sobre as velhas formas de conhecimento. Assim, livros antigos são deixados de lado, assim como museus e teatros tem poucos espectadores novos. É possível ver um jovem em um stand-up, mas dificilmente os vemos em uma peça de Shakespeare.Claro que a culpa não é exclusiva dos professores, eles são apenas agentes da educação. Se podemos tomar dizer um culpado, esse seria o sistema educacional como um todo.

Longe de ser um velho saudosista das antigas formas de arte, quero com este texto deixar claro apenas uma coisa: Simplificações maniqueístas deixam as pessoas burras! Aquele que apenas cultua as velhas formas de arte, e fica de preconceito com os novos artistas, está deixando de tomar contato com criações maravilhosas. Assim como aquele que se detém apenas a arte contemporânea, e fica escarnecendo tudo aquilo que é antigo, perde uma riqueza imensa da história humana.

Enfim, se o Brasileiro cultuasse o passado e o presente, e tivesse apreço a cultura de forma bem geral, museus não seriam fechados, editoras não fechariam e nosso povo cresceria em termos de instrução. Livros trazem reflexão, e como diria Ray Bradbury em Fahrenheit 451, as vezes precisamos ler para sermos incomodados. Acessar a cultura em geral, é uma das únicas formas de sairmos da mesmice, e termos certeza que pouco sabemos sobre nós mesmos e sobre o mundo, e, portanto, não sermos idiotas egocêntricos e achar que sabemos tudo.

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