Batata com Cachorro

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The Mars Volta – Frances the Mute (2005) – Review

No fim de 2004, Omar Rodríguez-López e Cedric Bixler-Zavala, beirando aos 30 anos, colhiam os frutos de um dos projetos mais ambiciosos de suas carreiras como músicos – que a esse ponto já consistia em metade de suas vidas -, o The Mars Volta. No auge de seu projeto mais bem-sucedido comercialmente, Omar e Cedric desistiram de um sucesso pontual e bem aclamado pelo público em geral pra partir diretamente em uma direção de auto-realização artística e profissional, com uma sonoridade experimental inspirada por free-jazz, salsa, rock progressivo e em especial, filmes.

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Cedric Bixler-Zavala (à esquerda) e Omar Rodríguez-López (à direita), em 2005.

A esse ponto, os dois já haviam ganhado tanto reconhecimento pelo The Mars Volta quanto tinham por seu projeto anterior, At the Drive-inEspecialmente por seu álbum de estreia, que até hoje permanece como o álbum mais vendido da banda, De-Loused in the Comatorium, baseado na experiência real de um amigo da juventude dos dois em El Paso, Julio Venegas, que após uma overdose de drogas, mergulhou num coma profundo. De-Loused foi produzido em parceria entre Rick Rubin e Omar Rodríguez-López e gravado no estúdio de Rick, a mansão.

Em um panorama geral de sua carreira, Rick Rubin é um produtor bem competente, tem um bom histórico trabalhando com artistas e bandas e em geral consegue extrair uma sonoridade bacana delas de forma que ainda seja bastante viável comercialmente. Mas, em se tratando do The Mars Volta, é como se ele estivesse o tempo todo segurando-os pela coleira, o que não foi muito agradável para o grupo, e em especial, para Omar. Num primeiro olhar pode parecer besteira, mas isso é completamente perceptível ao escutar Frances the Mute.

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Omar Rodríguez-Lopéz se apresentando com o The Mars Volta no Bonaroo 2005.

Frances the Mute foi produzido apenas por Omar, num estilo de produção completamente diferente ao que todos os envolvidos na gravação do disco estavam acostumados. Omar escreveu cada peça musical, como um grande maestro, e gravou cada um dos músicos separadamente sem qualquer referência sobre o que eles estavam tocando. Sem saber que música que era, que parte da música era e muito menos como iria soar no final. Extremamente metódico, montando o disco como um grande filme. Com exceção de Cedric, que escutava tudo pra colocar sua interpretação vocal por cima dos instrumentos.

Se De-Loused foi inspirado por uma história real de um amigo próximo deles, Frances the Mute foi inspirado num diário encontrado no assento traseiro de um carro que Jeremy Michael-Ward, um antigo colaborador da banda, encontrou enquanto trabalhava como um agente de recuperação de posses. O diário registrava a jornada de um homem tentando encontrar sua família biológica. No entanto, tanto quanto em De-Loused – e no futuro, em todos os álbuns subsequentes do The Mars Volta – as letras são bem difíceis de serem decifradas, já que Cedric acredita que quanto mais a música for feita para si, melhor.

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Frances the Mute apresenta uma inspiração muito maior de ritmos e raízes latinas que seu predecessor, e além disso, uma complexidade e abrangência musical muito maior. Com faixas extremamente longas, Frances também contém a composição mais longa do grupo, Cassandra Gemini, com 32 minutos de duração. O álbum contou com participação do baterista, do tecladista e do baixista da banda à época, Jon Theodore, Isaiah “Ikey” Owens e Juan Alderete, respectivamente, mais a adição do irmão mais novo de Omar, Marcel Rodríguez-López, e de músicos convidados como Flea e John Frusciante – ambos do Red Hot Chilli Peppers –  e de Adrián Terrazas-González – pouco tempo depois efetivado no grupo.

A capa, assim como em seu predecessor, foi criada pelo grupo Hypgnosis, mais especificamente por Storm Thorgerson, famoso por criar as capas do Pink Floyd.

Numa retrospectiva da carreira da banda, que encerrou as atividades em 2012, Frances the Mute parece ser o trabalho mais experimental e talvez, o melhor dos seis álbuns. Parece que tudo se encaixa perfeitamente e é um álbum extremamente delicioso de se ouvir, em sua 1h15min de duração.

10/10

Tracklist:

  1. Cygnus… Vismund Cygnus (13:02)
  2. The Widow (5:51)
  3. L’Via L’Viaquez (12:21)
  4. Miranda That Ghost Just Isn’t Holy Anymore (13:09)
  5. Cassandra Gemini (32:32)

Créditos:

  • Omar Rodriguéz-López – Guitarras, sintetizadores, gravações de campo, produção
  • Cedric Bixler-Zavala – Vocais
  • Jon Theodore – Bateria
  • Isaiah “Ikey” Owens – Teclados
  • Juan Alderete – Baixo
  • Marcel Rodríguez-López – Percussão, teclados
  • Flea – Trompete em “The Widow” e “Miranda That Ghost Isn’t Holy Anymore”
  • John Frusciante – Primeiros dois solos em “L’Via L’Viaquez”
  • Adrián Terrazas-González – Saxofone tenor e flautas em “Cassandra Gemini”

 

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